Como conseguir um emprego

Um dos meus aprendizes me disse que tinha dificuldades para montar um perfil no LinkedIn e o Curriculum Vitae, o famoso currículo ou CV, e por isso achei interessante compartilhar a minha experiência como alguém que já montou o próprio CV, participou de entrevistas para conseguir emprego, já entrevistou diversas pessoas e ajudou a criar um processo seletivo para aprendizes em desenvolvimento de software.

Antes de falarmos sobre como montar um CV, quero compartilhar uma linha de pensamento que achei brilhante e concordei ao ouvir do Bruno Souza (JavaMan) durante a minha presença no Brasil JUG Tour em São Paulo (2019). A ideia central é que existem apenas dois caminhos para você se colocar no mercado de trabalho, o caminho da aceitação e o da negação.

Aceitação

Esse é o caminho em que você se dedica de verdade, faz cursos e pratica o que aprendeu, participa de eventos, se envolve na comunidade, compartilha o seu conhecimento e conhece pessoas. O que acontece é que essas pessoas que você conhece e, talvez admire, podem olhar para você e te admirar também, pela sua dedicação, esforço e por quem você é e tem a oferecer para outras pessoas e empresas. Nesse caminho, e se ainda não aprendeu isso, você aprende que não está sozinho nesse mundo e que se você tem uma experiência de vida, tem algo para compartilhar também (todos temos) e quem sabe as pessoas queiram trabalhar com você e te façam um convite depois de te conhecer.

(Legal Gabriel… Mas como isso me ajuda a conseguir emprego? Não tem garantia nenhuma!)

Talvez seja verdade, não posso te garantir que fazer essas coisas vai te dar um emprego, mas posso te dizer que existem pessoas que olham para outras pessoas como seres humanos ao invés de ferramentas de trabalho e, se você está realmente se dedicando e está afim de conseguir um trabalho, vai encontrar alguém interessado enquanto estiver percorrendo o seu caminho para ser melhor a cada dia. Eu acredito que quando a gente se movimenta, o Universo se movimenta também e as coisas simplesmente acontecem, talvez não da forma como você quer que elas aconteçam, mas acontecem.

Se prepare para quando as oportunidades passarem na sua frente e mesmo se não se sentir pronto quando elas passarem, a minha sugestão é que agarre e se dedique para fazer acontecer. Não existe o momento perfeito, existe o agora e a sua vontade de ir em frente ou não.

(Caraca, nem quero ler o da negação então… Já me convenceu!)

Calma! Os dois são importantes e não é um contra o outro, você pode fazer os dois ao mesmo tempo.

Negação

Na sua visão, para que serve um CV?

Bom, na minha opinião, ele serve para que as empresas, seja por profissionais ou um robô, avaliem se você tem aquelas competências que elas precisam sem precisar te conhecer e façam um filtro para agilizar o processo de contratação de pessoal da Organização. Por outro lado, talvez o CV também sirva para você mostrar o bom profissional que você é em poucas palavras e ser encontrado por essas empresas. Afinal de contas, não dá pra visitar e falar com todas elas, não é mesmo?

O motivo de apenas montar um currículo ser o caminho da negação é que o papel de quem está avaliando o seu CV é dizer não para a maioria dos candidatos e sim para alguns poucos que souberam colocar as palavras-chave que a pessoa (ou o robô) que analisou estava procurando. Isso é muito real para quem está começando a trajetória profissional ou tentando migrar de área, pois acredite, tem muita gente querendo começar, mas existem poucos especialistas.

A real é que existem sim duas “pilhas” de CVs diferenciadas, uma com pessoas indicadas e outra com pessoas não indicadas. Fala a verdade, quando você procura alguém para fazer um serviço e não conhece ninguém da área disponível, você confia mais em um classificado ou em uma indicação dizendo que a pessoa faz um bom trabalho?

(Quer dizer que quem é indicado sempre consegue emprego?)

Se a pessoa que te falou for confiável para você, eu duvido que a resposta seja o classificado, ao menos até que converse com a pessoa indicada e perceba que ela não vai fazer o serviço que você precisa do jeito que você quer. Então, não! Não estou dizendo, de forma alguma, que as pessoas indicadas são melhores profissionais que as não indicadas, o que estou te mostrando é que é muito mais fácil confiar em quem você conhece para contratar uma pessoa ou serviço e, geralmente, a indicação vem em primeiro lugar, depois vem a segunda opção. Esse é um dos fatores que mostra como a sua rede de contatos (networking) faz toda a diferença.

(Tá… Mas como começar essa rede de contatos?)

Seja você mesmo, busque autoconhecimento, aprenda sobre outros assuntos, vá em eventos e se permita conhecer outras pessoas.

(Ok! Mas eu ainda preciso de um CV né?)

Talvez precise… Muitas vezes ele vai servir como uma forma de você resumir a sua carreira dando uma introdução ao porque você é qualificado para uma vaga. A partir disso, como você pode resumir as suas qualificações?

Não sou nenhum especialista em montar CVs e no começo foi muito difícil colocar alguma coisa ali naquele documento, especialmente quando eu não tinha muito o que dizer da minha experiência profissional, já que eu não tinha nenhuma. O que eu fiz foi ler e ouvir pessoas mais vividas do que eu, conversar com pessoas experientes em recrutamento e seleção, ver alguns exemplos e templates na internet e começar a colocar a mão na massa.

(Posso fazer isso! Mas você tem um exemplo? Como é o seu CV hoje Gabriel?)

Tenho dois modelos, um em português e outro em inglês. Eu não decorei isso, então estou olhando para o modelo em inglês agora e vou descrevê-lo, mas ambos os modelos seguem essa ideia:

  1. Cabeçalho:
    1. Nome;
    2. Título do cargo que estou buscando;
    3. Localização; (Local em que você mora, não aonde quer trabalhar)
    4. Contatos; (celular, e-mail e LinkedIn)
    5. Um parágrafo descrevendo quem sou com palavras-chave, sem detalhes;
  2. Experiência profissional:
    1. Mês e ano de início e fim;
    2. Último cargo em destaque: (Eu deixo o cargo inicial e promoções junto entre parênteses após o último cargo)
      1. Breve resumo sobre o que eu fiz, criei e conquistei por lá;
      2. Programas e Projetos que participei;
      3. Cargos: (Sim, estou repetindo o que estava entre parênteses antes no título)
        1. Responsabilidades; (Palavras-chave para cada e em tópicos, parecido com o que estou fazendo para escrever aqui agora)
        2. Habilidades: (Palavras-chave desenvolvidas enquanto estava lá)
    3. Para demais cargos (eu deixo só dois) eu não faço o breve resumo e nem deixo os cargos com habilidades e responsabilidades, mas deixo o título e os Programas e Projetos que participei;
  3. Formação acadêmica:
    1. Mês/Ano de conclusão, nome do curso e Instituição de ensino
  4. Cursos e Certificações
    1. Mês/Ano de conclusão e nome do curso (Cada curso em um tópico)
    2. Links para os meus certificados
  5. Atividades e Comunidade
    1. Links para as minhas publicações ou sites
  6. Idiomas
    1. Nome e nível

Aah, e pode parecer que é muita ou pouca coisa para escrever sobre você, mas está em apenas três páginas e hoje considero esse número um bom limite e me esforço para não ultrapassá-lo.

Não estou dizendo que esse é o modelo perfeito ou que você vai ser contratado usando ele, mas quero deixar uma opção aqui para você pensar e seguir ou procurar outros modelos que se adequem melhor a você e ao mercado de trabalho em que quer atuar. O importante do CV é você e, para o recrutador, conhecer as suas habilidades, competências, experiência profissional e identificar se você é quem ele precisa para desempenhar um papel ou se você tem potencial para conseguir desempenhá-lo em determinado prazo.

(E quanto ao LinkedIn?)

O LinkedIn é uma ferramenta poderosa de conexão entre pessoas e muitos recrutadores buscam profissionais por lá. Lembre-se que ele é a sua página profissional e deve conter os mesmos princípios do seu CV.

  • Quem é você como profissional?
  • O que você tem estudado?
  • O que você faz?
  • Quais são as suas qualificações?
  • Você tem certificados?
  • O que você faz para contribuir para a sociedade?

(Legal… Já sei como começar a montar meu perfil profissional… Mas Gabriel, e depois? O que eu faço quando me chamarem para uma entrevista?)

Olha, o que eu posso te falar é o que eu como entrevistador reparo e isso talvez te mostre como é estar do outro lado da mesa. Eu costumo avaliar as pessoas em entrevistas por seus hard e soft skills.

(O que é isso?)

Vou te dar uma definição com base na minha experiência e no que eu acredito e avalio como sendo esses skills:

Hard Skills

Em resumo, é tudo aquilo que você pode aprender lendo um livro, fazendo um curso ou estudando de alguma forma.

Como entrevistador, entender os seus hard skills servem para ajudar a nivelar você no plano de carreira da empresa, validando através de perguntas e desafios se você tem o mínimo necessário para a vaga e quem sabe descobrir que você pode muito mais do que o mínimo.

Soft Skills

Basicamente, tem relação com os seus valores, o que você acredita, como você trata as pessoas e a forma como você se comunica e se comporta diante das situações. Você aprende desde a sua formação como ser, na sua infância e continua vivendo, experimentando e aprendendo com situações e emoções diferentes.

Como entrevistador, ver como você se comporta, comunica, interage, lida com pressão, recebe e dá feedback, entre outras infinitas possibilidades, ajuda também a te nivelar como alguém mais sênior ou mais júnior e, para mim, define se eu quero você ou não no meu time. Sim, os soft skills tem um peso maior na minha decisão. Por exemplo, se eu tenho uma equipe e a vaga é para trabalhar em equipe, não adianta você ser um gênio e não saber trabalhar em equipe. Em uma outra vaga, eu preciso de um especialista para resolver um problema e me entregar rápido, pode até mesmo fazer de casa e me enviar sem falar com mais ninguém, nesse cenário o seu skill de trabalhar em equipe não é tão importante, mas o comprometimento e seus hard skills são.

(Mas calma ai… Quer dizer que não posso estudar soft skills?)

Não! É claro que você pode estudar mais sobre comprometimento, amor, trabalho em equipe, comunicação não violenta e qualquer outro soft skill que você queira… O que eu quero dizer é que ele tem relação com como você se comporta e a sua experiência, e não apenas com o que você conhece.

(Nossa, quanta coisa é avaliada…)

E isso são apenas algumas, tenho certeza que existem inúmeras técnicas de avaliação. Mas no fundo, o que o recrutador quer é entender se você é a pessoa certa para o que ele está buscando.

Não desanime se você não passar em uma entrevista, mas se não te derem um feedback (e sempre deveriam na minha visão), peça você! O que será que faltou? Talvez nada… O seu perfil as vezes não bateu com o da empresa, você chegou a ler sobre a missão, visão e valores da empresa? Será que os seus valores vão de encontro aos da empresa? Ou talvez faltou algum skill técnico que está mais para médio e longo prazo e você ainda não conhece e, se aquilo for muito importante no mercado de trabalho em que atua, corra atrás para aprender!

E ai, gostou? Foi útil pra você? Concorda ou discorda de algum ponto? Comenta ai e vamos aprender mais juntos.

Espero que te ajude! 😉

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