Por onde comecei a minha carreira como desenvolvedor de software

Um dos aprendizes do Movimento Codar, onde atuo como Mentor voluntário, me fez várias perguntas interessantes, eu respondi e ele me disse que foi muito bom ouvir e refletir sobre a minha resposta. Por isso, eu quero compartilhar com vocês o caminho que eu trilhei.

Em dezembro de 2011, durante uma reunião em família para as comemorações de fim de ano e logo depois de falhar no vestibular do curso de Economia para estudar na tão sonhada USP, tive muita dificuldade para encontrar um outro curso de graduação e faculdade porque eu gostava de muitas áreas – Matemática, Física, História, Economia, Finanças, Filosofia, Psicologia, Esportes, Astronomia, Jogos Digitiais e sei lá quantos mais hehe -, conversei com um grande amigo, casado com a minha madrinha, e ele me mostrou que eu era bom em lógica e com computadores também. Com isso, seria possível ganhar um bom dinheiro na área de TI trabalhando de qualquer lugar do mundo. Essa conversa uniu dois desejos da época, morar fora do Brasil e ter independência financeira mais rápido.

Em janeiro do ano seguinte comecei a pesquisar cursos na área de TI e encontrei Sistemas de Informação (SI), Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS) e Ciência da Computação, li suas grades e me identifiquei mais com SI. A decisão de fazer esse curso era por unir outras áreas menos técnicas também, como Gestão e Empreendedorismo. Mas a grande sacada que eu tive sozinho para decidir foi que eu poderia trabalhar com qualquer uma das áreas que eu gostava se eu fizesse um desses cursos de TI fazendo uma coisa que eu também gostava, que era resolver quebra-cabeças ou desafios. Parecia perfeito…

Logo no primeiro semestre da faculdade, recebi um panfleto com oportunidades de estágio na recepção, era do NUBE (E quem joga deve saber o que esse termo me lembrava, seu “newbie” ou “noob” rsrs). No entanto, eu pensei que seria ótimo ter uma experiência profissional logo no começo e encarei aquela ideia, me cadastrei e fiz uma única entrevista para trabalhar no Grupo Treze Paulista como estagiário em desenvolvimento. Demorou uns 2 meses e, sem resposta, eu já tinha desistido da ideia de que teria passado e, para minha surpresa, no dia em que eu estava pensando em desistir da área e me alistar no CPOR para entrar no exército brasileiro, recebi uma ligação da Empresa dizendo que eu tinha sido aprovado para o estágio.

Um dos motivos de eu ter aceitado o estágio foi ele ser apresentado como um programa de treinamento com vários cursos e eu ia aprender toda aquela sopa de letrinhas que eu não fazia ideia do que eram (HTML, CSS, JS, AJAX, etc), mas tinha a sensação de que iriam agregar na minha jornada de alguma forma.

Em resumo, passei 10 meses estudando Lógica de Programação, HTML & CSS, Javascript, C# em equipe com mais 3 estagiários. Nosso trabalho era aprender e apresentar para os supervisores o que tínhamos estudado. Um aspecto interessante é que os supervisores também estavam aprendendo metodologia ágil naquela época e testaram o Scrum como método para as nossas entregas.

Um aspecto interessante sobre os estudos e o dia a dia é o fato de que eu não estudava mais do conteúdo do trabalho em casa, eu aproveitava esse tempo para me dedicar a academia e ao inglês enquanto me preparava para ir a faculdade a noite. Sabe, eu sempre achei melhor prestar atenção nas aulas e entender as matérias enquanto estava lá do que estudar depois em casa. (Hoje vejo que isso só funcionou bem para as matérias em que eu tinha ótimos professores rs)

Tudo parecia um sonho lindo até o dia em que decidiram refazer as equipes e direcionar 4 estagiários para trabalhar com inovação e BI, e os outros 4 para dar manutenção no ERP interno da empresa, e me parecia que não tinham planos para adicionar muitas funcionalidades novas nele. Um mês antes, um dos supervisores tinha me dito em um café da manhã que eu me destacava como um dos melhores estagiários que tinha conhecido (se não for o melhor, pensei) e, por isso a minha expectativa era trabalhar com inovação. No entanto, o que aconteceu foi que me selecionaram para dar manutenção no ERP e, por não aceitar a justificativa que me deram quando questionei e não saber lidar bem com essa frustração naquela época, eu comecei a parar de dar o meu melhor no que estava fazendo e parei de ver as coisas boas daquela empresa. O resultado disso? Fui demitido depois de faltar um dia e dizer que estava cansado por causa da volta as aulas na faculdade como motivo da ausência.

A verdade é que não estava cansado por causa da faculdade, aquela frustração me consumiu por vários meses e eu já não queria mais ir para o trabalho. Depois da demissão, também não queria mais ir para a faculdade porque eu descobri que podia aprender todo o conteúdo das aulas em livros e isso tornava as matérias de lá fáceis ou inúteis. (Pelo menos era o que eu achava…)

Conversando com a minha madrinha sobre a importância ou não da faculdade, ela me convenceu e mostrou que a faculdade não era pelo conteúdo das aulas e sim pelo networking com outras pessoas da área, incluindo alunos e professores, e também, o que me marcou como mais importante na época, era uma prova de que eu era capaz de fazer algo difícil do início ao fim e eu teria que me dedicar a isso se quisesse prosperar nessa área. Depois dessa conversa, a minha ficha caiu e percebi que estava jogando tempo fora ao ir para a faculdade sem aproveitar ela de verdade. Decidi trancar o curso no terceiro semestre, em 2013, e me dar um tempo para colocar a cabeça no lugar e decidir o que eu queria realmente fazer.

Durante essa pausa, meu pai me disse uma frase que me fez refletir muito: “O tempo vai passar, você fazendo faculdade ou não.”… Simples né?! Mas o significado dela foi exemplificado no dia a dia, o tempo é o bem mais precioso que temos, e como nos sentimos depois que percebemos que passamos meses ou anos investindo ele em coisas que não nos ajudam ou ajudam outras pessoas em nada? Pois é… Eu decidi trabalhar com a oportunidade que meu pai me deu de vender cosméticos para salões de beleza, tirar minha CNH, refazer o terceiro semestre que eu tinha perdido na faculdade e no semestre seguinte voltar e me esforçar para provar que eu podia fazer algo bem feito do início ao fim.

Em 2014, para me dar um empurrãozinho em voltar para a faculdade (É difícil se desfazer da mordomia sim! kkk ou em outras palavras, sair da zona de conforto), eu procurei fazer um estágio dentro da UMC e não me importava bem no que seria, mas tinha que ser no mínimo na minha área de atuação. Passei na entrevista e fui trabalhar nos laboratórios dando manutenção nos computadores da Universidade.

Eu realmente tinha voltado com tudo para a faculdade, estava me dedicando de verdade ao estágio e as aulas, estudando tudo o que eu podia. Um belo dia, depois de 1 mês de estágio, o melhor professor da faculdade me viu trabalhando ali quando chegou e me disse que meu lugar não era ali e me perguntou se eu gostaria de trabalhar com programação, e é claro que eu disse sim! (Falando sério… eu nunca curti abrir um PC e ficar revirando as peças dele… E sim! Ele já era considerado o melhor professor mesmo antes dessa atitude que mudou minha vida, não é a toa que ele é paraninfo de quase todas as turmas que se formaram rsrs)

Ele me indicou para trabalhar na Stefanini, uma multinacional brasileira enorme que na época atuava em mais de 30 países e tinha mais de 20 mil funcionários. Fiz o processo seletivo e passei para dar início a minha carreira CLT como Analista de Sistemas. (dessa vez tinha até uma prova com algoritmos e conceitos de Java EE, e eu não fazia ideia do que era um EJB mas eu tinha uma base muito boa de algoritmos graças a ter estudado aquele livro de lógica)

Enfim, foi assim que a minha carreira como desenvolvedor de software começou…

P.S. Pretendo escrever sobre o que eu acredito ser uma forma melhor de começar a carreira como desenvolvedor em um próximo post. 🙂

Comenta ai se te ajudou de alguma forma 🙂

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